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Benedita Brazilina Pinheiro Machado

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A Mulher de Pinheiro Machado

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Benedita Brazilina Pinheiro Machado

Um dos nomes mais singulares da nossa história republicana é por certo PINHEIRO MACHADO. Aquela figura varonil, aquele político hábil que enfeixou em suas mãos, mesmo fora da posição suprema, todo o poder do Brasil, é um vulto cujas impressões estão ainda bem vivas. No cenário brasileiro, o general das épicas campanhas dos pampas e das lutas do parlamento teve a luminosidade impressionante de um astro e o seu flamejar rápido, raspante.

Não lhe faltou, como outras figuras de igual vigor histórico, a sua inspiradora. Esta foi, incontestavelmente, a sua companheira e esposa, D. Benedita Brazilina Pinheiro Machado, cujo desaparecimento acaba de se verificar nesta capital (1935). A ilustre dama foi não só testemunha como, por inúmeras vezes, figura marcante na vida política de um dos mais lendários chefes que o Brasil tem conhecido. Corajosa e voluntariosa, participou, decididamente, da agitada existência de seu marido, com ele arrostando as conseqüências das refregas que a pontilharam.

Da metrópole paulista para a planície verde dos pampas

Tendo estudado na Faculdade de direito de São Paulo, Pinheiro Machado ali ensaiou as suas atividades políticas, revelando-se desde logo um futuro "condottieri". Quando ainda estudante, um ano antes de bacharelar-se, o futuro senador gaúcho consorciou-se com a jovem Benedita Brazilina que era, naquele tempo, uma das mulheres mais belas da sociedade bandeirante. De posse de seu diploma, o moço rio-grandense dirigiu-se para a sua terra afim de iniciar o seu épico e culminante destino. D. Brazilina afastava-se, assim, do conforto da capital bandeirante onde sempre estivera, para ir viver a existência simples e rude das cochilhas.

Depois da viagem marítima, foram precisos três dias pela antiga ferrovia, seguidos de mais três a cavalo pelas longas léguas dos campos, até chegar o casal à fazenda Piraju, em São Luís das Missões. Ali, à falta de meios, construíram uma casa de sapé, batida a sopapo, de taipa. O assoalho era de chão. D. Brazilina construíra, de caixas e caixotes, o próprio mobiliário. Pinheiro Machado achava-se então nos primórdios da sua carreira. Desde esse momento, sua esposa começava a ter posição preponderante ao seu lado. Cuidava de tudo. Era solícita. As vezes negociava. Comprava ou vendia e era a quem muitas vezes o futuro general recorria para dar a última palavra sobre certos empreendimentos.

"Quero ver os burros seu moço"

Um dos episódios interessantes que é recordado pelos seus íntimos, entremostra bem a estirpe da mulher a que pertencia D. Nha-Nhã,, como era por todos chamada na intimidade. Apareceu pelo sítio um homem pretendendo vender uma tropa, dessas que pelo Interior varavam as distâncias transportando heroicamente as mercadorias. O Dr. Pinheiro recusou a compra. Faltava-lhe numerário. Era um ótimo negócio perdido. D. Nha-Nhã chegou a porta e inteirou-se do fato. Pediu ao tropeiro que fizesse os animais desfilarem pela sua frente. Mandou que o homem repetisse três vezes a ordem. Todos olhavam admirados a disposição feminina.

_ Passe os burros, mais uma vez, repetiu ela ao tropeiro já meio "amolado". Sabedora do preço, regateou. O vendedor concordou. O general ria.

_ Como vamos comprar? – perguntou.

A esposa fez-lhe um gesto de espera. Foi ao interior da casa. Desempilhou maletas e baús. Afastou caixas. E lá no fundo apanhou um saquinho com as suas economias pessoais e comprou a tropa. E reservou-se para dizer ao marido:

_ Os lucros são meus. Dinheiro guardado vale mais que vinho e costuma crescer.

Enfrentando a primeira grande luta

A atuação de Pinheiro Machado logo o destacara entre os chefes políticos da região. 1893 – o Rio Grande do Sul vai sofrer uma das maiores convulsões que o sacudiram. Gumercindo Saraiva e Silveira Martins o arrastam com o seu prestígio e o seu pequeno exército para a luta. Pinheiro Machado coloca-se ao lado do governo. Em pouco, a revolução acendera fogueiras em vários pontos do estado. O marido prepara-se e seu pequeno exército para a luta partidária. D. Brazilina provê, então, a todas as necessidades da tropa, fazendo fardas, preparando barracas, recortando e bordando as bandeirolas que vão ser atadas ao pontaço das lanças da cavalaria. Floriano Peixoto manda dizer ao seu correligionário das Missões que poderá remeter tudo que ele necessitar de provisões de campanha. O general responde-lhe que tinha um arsenal preparado e um grande chefe, sua esposa.

Assistiu sozinha o saque da sua residência

As tropas revolucionárias aproximaram-se de São Luís da Missões. Refugiaram-se os parentes de Pinheiro Machado. Sua esposa, instada várias vezes não se retirava do lugarejo. E foi, à porta da janela que ela viu chegarem os revoltosos para assaltarem a sua casa de sapé, revirada totalmente. Só aí, então, é que D. Benedita concordou em partir. Fugiu numa charrete que lhe fora fornecida em companhia, apenas, de uma criança, filha de uma antiga ama, Maria da Purificação. Os parentes que lhe deram o veículo impuseram-lhe a incumbência perigosa de levar armas escondidas para os correligionários de seu marido. D. Nha-Nhã atravessou com aquela perigosa carga as linhas inimigas. Revistado o veículo, portou-se com tal calma que os guardas de nada perceberam. A intrépida paulista prosseguiu viagem, rumo a Porto Alegre, vencendo o cansaço das distâncias sem fim e os perigos das cochilhas invadidas por bandos perigosos. Ao chegar a capital gaúcha, depois de dias penosos, encontrou as bandeiras enlutadas e a notícia da morte do esposo. Imperturbável, contendo a emoção, ouviu o relato do seu desaparecimento. Horas, depois, porém, o equívoco se desfez . Quem tombara fora outro general. A campanha prosseguia e a esposa acompanha Pinheiro Machado até a fronteira uruguaia, onde o impele, num gesto de audácia, a invadir o país vizinho num último golpe contra o adversário.

Da guerra das armas para a guerra política

Pinheiro Machado seguiu mais tarde para o Rio. Floriano quis oficializar os seus galões de general . O caudilho gaúcho recusou, dizendo que nunca desejara ser mais do que os outros combatentes.

Inicia-se, então, em campo mais largo, a vida pública de Pinheiro Machado, que segue num crescendo incessante a medida que sua personalidade marcante e audaciosa vai se sobrepor às demais. A esposa continua a seu lado, com a mesma função de conselheira e incitadora. Pinheiro tem por vezes, perante os amigos, frases de louvor irrestrito para com sua companheira. E diz aos íntimos: "_ Ela é uma mulher de ferro. É o eixo de ferro da minha vida".

O paço imperial do Morro da Graça”

Depois de residir por algum tempo num hotel da cidade que era preferido pelos gaúchos, Pinheiro Machado morou por alguns anos no Morro da Viúva. Foi aí vizinho do General Vargas, pai do Presidente da República. O velho gaúcho era grande amigo de Pinheiro Machado. Este estivera, também, morando na Rua Hadock Lobo, durante dez anos, numa casa do Conde Modesto Leal, onde é hoje a igreja de São Sebastião.

O general adversário dos maragatos, o chefe pica-pau, como eram pitorescamente denominadas as hostes da revolução de 1893, já conquistara igual posto na política e, em pouco, ascendia ainda mais – a generalíssimo dos destinos nacionais.

Mudou-se Pinheiro Machado para o Morro da Graça, cuja residência no número 22, da Rua Guanabara, hoje Pinheiro Machado, passou a ser chamada o "Paço Imperial". É por demais conhecida a crônica da vida do chefe gaúcho nesse solar. Sua esposa , porém, não modificara o espírito simples e afeito ao trabalho. As visitas cerimoniosas, ou as dos admiradores populares com que seu marido contava aos milhares, eram recebidas e tratadas afavelmente por ela. Encantavam-na as manifestações dos colegiais no dia do aniversário de Pinheiro Machado.

Madrinha cerca de 4.000 vezes

O seu amor pelas crianças e a sua bondade com os humildes fizeram de D.Nha-Nhã a madrinha de mais afilhados do Brasil. Cerca de 4.000 crianças foram por ela levadas à pia batismal, quer no Rio Grande, quer nesta capital. E tinha uma memória extraordinária em se recordar aqui e ali deste ou daquele menino, que ia tomar-lhe a benção.

D. Nha-Nhã reunia em si dois tipos diferentes de mulher. Carinhosa e recatada, afastada das grandes festas mundanas, ela possuía, porém, preferência especial pela atividade do marido. E era de vê-la nos dias sombrios dos movimentos armados ou de rebeliões prestes a desencadear-se, a passear pelas ruas no seu carro, buscando conhecer a extensão do perigo, tal como na revolta de João Cândido. Deixava de ser mulher do lar, para ser a heroína que acompanhou Pinheiro Machado na sua vida tormentosa de rei sem trono. E quando ele tombou mortalmente ferido, desapareceu também do mundo essa figura amantíssima que vivia para que ele vivesse. D. Benedita Brazilina recolhera-se a solidão de sua viuvez.

Escrito pelo jornalista EMIL FARHAT, publicado em "O JORNAL", de 31 de julho de 1935 – pág. 5


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Recepção no Morro da Graça - A Sra. Pinheiro Machado ao centro da foto


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