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Pinheiro aos 45 anos - Senador

Senador Pinheiro Machado

Passados quase cem anos do desaparecimento do Senador Pinheiro Machado recorda a pátria brasileira a vida e a obra do seu eminente filho, grande propagandista da República, defensor do regime republicano, líder político nacional, presidente e fundador do Partido Republicano Conservador e Vice-Presidente do Senado Federal, onde com patriotismo, coragem e dignidade exemplar, garantiu, com a sua liderança, a estabilidade política necessária à normalidade dos primeiros governos da República, contribuindo para a sua definitiva consolidação.

Recordar José Gomes Pinheiro Machado significa manter viva a memória de uma época em que a dedicação à política resultava de sinceros ideais e convicções e tornava-se um exercício de sacrifícios e desprendimento pessoal.

É reverenciar o devotamento heróico de um brasileiro que em duas oportunidades se lançou à luta armada para defender a Nação e a República, como o fez na Guerra do Paraguai e na Revolução Federalista.

É celebrar as virtudes do ideário republicano por ele pregado e defendido com fidelidade, coerência e bravura durante toda a sua vida. O historiador Cyro Silva (1908-1977), autor da mais completa biografia sobre Pinheiro Machado (Livraria Tupã Editora – 1951, Editora Universidade de Brasília – 1982), ofereceu importantes ensinamentos sobre a sua atuação no cenário político nacional.

"José Gomes Pinheiro Machado nasceu em 8 de maio de 1851, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Era filho do Dr. Antonio Gomes Pinheiro Machado e de Dona Maria Manuela de Oliveira Ayres, ambos naturais de São Paulo.

Desde a adolescência, José Gomes Pinheiro Machado deu inequívocas provas de seu mais puro amor à Pátria. Aos 15 anos incompletos, aluno da Escola Preparatória, anexa à Escola Militar da Corte, abandonava seus estudos, sem consentimento das autoridades superiores e, com o desconhecimento dos seus pais, alistava-se no legendário Corpo de Voluntários da Pátria, como soldado do 4.º Corpo de Caçadores a Cavalo, na luta às hordas paraguaias que haviam invadido o solo brasileiro. Durante quase três anos suportou as dificuldades de uma luta feroz, em clima insalubre, somente dela se retirando quando o seu organismo em formação não pode resistir por mais tempo aos miasmas pestíferos dos pântanos paraguaios.

Afastado do serviço do Exército, matriculou-se na Academia de Direito de São Paulo em 1874, época em que as idéias republicanas empolgavam a mocidade acadêmica e a nacionalidade, sendo de notar que esse acontecimento verificou-se três anos após o lançamento do Manifesto Republicano de 2 de dezembro de 1870, no Rio de Janeiro, e alguns meses da fundação do Partido Republicano Paulista.

Apaixonado pelo credo republicano, tornou-se desde logo Pinheiro um dos seus mais ardorosos propagandistas, tendo fundado com outros estudantes, em julho de 1876, o Clube Republicano Acadêmico e o jornal “A República”, do qual foi redator.

Em 5 de agosto de 1876, contraiu núpcias com a paulistana Benedita Brazilina da Silva, e, em 5 de novembro de 1878, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

Depois de haver concluído com brilhantismo o seu tirocínio acadêmico em São Paulo – diz Julio de Castilhos – onde honrou sempre o histórico renome riograndense, pelo talento, pelo estudo e pela probidade de conduta pessoal, Pinheiro Machado regressou à Imperial Província do Rio Grande do Sul, prosseguindo com redobrado vigor na evangelização da idéia democrática, fiel ao programa traçado pelos pró-homens do movimento republicano. Em São Luiz das Missões (atual São Luiz Gonzaga), onde se fixou com banca de advocacia, fundou o primeiro Clube Republicano, do Rio Grande, sendo o seu primeiro presidente. A seguir, em 23 de fevereiro de 1882, com o insigne Venâncio Ayres, Julio de Castilhos, Demétrio Ribeiro, Alcides Lima, Apolinario Porto Alegre, Ramiro Barcelos, Luiz Lesseigner, Assis Brasil e José Pedro Alves, fundou o Partido Republicano Riograndense, que, inesquecíveis e fulgurantes serviços prestou no combate ao regime monárquico.(1)

Os trabalhos desses incansáveis republicanos não se limitaram tão somente ao campo das discussões doutrinárias, avançaram até a coordenação de forças para uma ação mais enérgica que assegurasse o pronto estabelecimento do regime que ora desfrutamos. Nesse particular a figura de Pinheiro Machado sobressai pela sua ação vigilante, ativa e desassombrada.

Proclamada a República e convocada a Constituinte, foi eleito, por escolha e imposição do Partido Republicano Riograndense, senador federal, cargo que exerceu até o seu trágico desaparecimento.

Senador Pinheiro Machado - cadete

Pinheiro Machado, cadete da Escola Militar da Corte

No Governo de Floriano Peixoto, quando elementos conturbados pelo ódio pretenderam aniquilar o regime vitorioso em 15 de novembro de 1889, desencadeando a Revolução Federalista, Pinheiro Machado deixa a sua cadeira no Senado Federal e atira-se à luta em defesa dos sacrossantos ideais que, com ingentes sacrifícios, conseguira implantar no país. Fiel aos rumos traçados na Carta de 24 de fevereiro de 1891, empenhou-se na mais rude guerra fratricida que registra a história republicana. E, durante dois anos de luta árdua, nas agrestes coxilhas do sul, sempre a frente da legendária Divisão do Norte por ele organizada, deu as mais notáveis provas de bravura e de abnegação em prol da legalidade.

O General Rodrigues Lima, prestou valioso depoimento com respeito à figura homérica de Pinheiro, após a célebre batalha de Inhanduí, afirmando: Quanto ao que fez o Senador Pinheiro Machado, limito-me a dizer: ele personificou no momento o dever cívico. Sua atividade desdobrou-se em todos os pontos da linha. Sua presença esteve em toda parte. Sua palavra de entusiasmo, de animação e conforto foi ouvida por todos. Seus exemplos foram seguidos pelos mais bravos.

Foi com justiça, pois, que o insigne Marechal Floriano, em 9 de maio de 1894, elevou esse bravo soldado da República ao posto de general de brigada, "atendendo aos relevantes serviços militares por ele prestados desde o começo da revolta até hoje, no Rio Grande do Sul, já organizando forças, já levando-as a combate, com valor e proficiência de experimentado Chefe".(2)

Graças à ação enérgica e persistente desse abnegado cidadão-soldado, coadjuvado pela ação patriótica de Julio de Castilhos, pôde o Marechal de Ferro consolidar a República Brasileira.

Partidário intransigente de uma política conservadora, voltada para a preservação do regime republicano, foi Pinheiro Machado o baluarte com que sempre contaram os governos de Prudente de Moraes, Campos Sales, Rodrigues Alves e Afonso Pena, na defesa e manutenção da disciplina e da ordem legal.(3)

No conturbado período presidencial do honrado Marechal Hermes da Fonseca, melhor se fez sentir a ação vigilante e enérgica do eminente chefe gaúcho, em prol do respeito aos postulados constitucionais, tornando-o, porém, alvo da mais agitada e intensa campanha política dos anais republicanos.

Dentre os serviços prestados por Pinheiro Machado à causa pública, cumpre assinalar ainda o que se refere à educação cívica nacional. A fundação do PARTIDO REPUBLICANO CONSERVADOR representa, sem dúvida, um dos primeiros passos para ordenar num sentido nacional unitário a política brasileira.

Defensor inconfundível da Constituição Federal e da pureza do regime, tombou envolto na bandeira do P.R.C. que para ele era a própria bandeira da República.

Desse seu fervoroso amor a pátria e à República, adveio-lhe o inegável prestígio pessoal que o tornou chefe supremo no cenário político brasileiro.

A serena firmeza de suas atitudes, a nobreza de seus atos e a sua abnegação pela causa pública projetam no espaço o perfil másculo de uma individualidade incomum nas páginas da História Pátria.

A 8 de setembro de 1915, então vice-presidente do Senado Federal, tombou vítima do traiçoeiro punhal de um assassino, no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, após intensa campanha subversiva e personalíssima, promovida pelos inimigos da República."

Notas

  • 1 - Pinheiro Machado empenhou-se nas lutas políticas em prol da República desde os tempos da faculdade de Direito. Ao contrário do que divulgam alguns superficiais pesquisadores, nunca se interessou pelo exercício da magistratura, onde militou por algum tempo o seu pai, Dr. Antônio Gomes Pinheiro Machado.
  • 2 - O líder político gaúcho não foi militar, salvo durante os três anos em que serviu como voluntário na Guerra do Paraguai. Também, a patente de “general de brigada” foi um título honorário concedido pelos heroicos serviços prestados durante a Revolução Federalista.
  • 3 - De 1905 a 1914, o Senador Pinheiro Machado foi líder da bancada gaúcha, Presidente, de fato, do Senado e da Comissão de Verificação de Poderes, órgão com poderes e atribuições da atual Justiça Eleitoral, ao qual competia examinar e decidir sobre a regularidade de uma eleição e o reconhecimento dos eleitos.
Num processo eleitoral cheio de imperfeições que propiciava inúmeras fraudes, cabia a Pinheiro Machado purificar os seus resultados, eliminando candidatos sem os requisitos legais para a posse. Essa permanência prolongada no exercício de tão ingrata missão, acabou por criar-lhe inúmeros adversários e implacáveis inimigos políticos.

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